
Esse comportamento é comum em várias outras pragas digitais. A Linha Defensiva noticiou em 2006 casos em que códigos maliciosos chegaram a instalar os antivírus Kaspersky e Dr. Web para garantir que a única infecção presente no computador era a do próprio vírus. Para não serem removidas pelos antivírus, as pragas adicionavam-se na lista de “arquivos ignorados” dos programas.
É a primeira vez, no entanto, que esse comportamento é observado em vírus de origem brasileira, normalmente destinados ao roubo de senhas bancárias.
Só para brasileiros
O vírus “anticompetitivo” analisado pelo ARIS-LD tem como alvo exclusivamente os brasileiros. O link de download da praga determina a nacionalidade da vítima pelo endereço IP — um processo normalmente chamado de GeoIP. Se o internauta não for brasileiro, é exibida uma foto inofensiva com garotas de biquíni.
O ARIS-LD tem um colaborador brasileiro que reside na Bulgária. A técnica dos criminosos foi descoberta quando este colaborador não conseguiu baixar os vírus presentes nos links enviados por internautas.
O principal objetivo dessa restrição é precisamente dificultar a análise da praga digital. Pesquisadores antivírus que residem em outros países precisarão usar um computador brasileiro como intermediário para conseguir baixar e analisar o vírus. Se a nacionalidade da praga não puder ser determinada pelo golpe, ou se o pesquisador não reconhecer imediatamente o uso de GeoIP, o vírus poderá continuar agindo livremente, já que o especialista não irá desconfiar da presença de um código malicioso.
Fonte: AIRIS - Linha Defensiva
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